Mostrando postagens com marcador Pedro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Debonaire.

o poeta senta-se a mesa
como Chopin ataca as teclas
ou como um cozinheiro afia a faca

dilacera sua carne em cubos
nem uma nota a menos, com
paixão obcecamos nossos vícios

ou são eles que nos obcecam?
turvos, queremos que um inferno
d’um palito de fósforo surja

essa fome cega e essa sede
do artista de se cortar em
cubos e notas mata mais à noite

quando o relento lhe faz louco
não se dá conta, o jantar
sua própria carne, servida em prata

a música ao fundo expande
mas sobra sal. cospe, vomita
sobre o tapete persa carmesim

desgosto de si é a morte
de quem escreve e toca e come
poesia, romantismo e mignon

terça-feira, 8 de abril de 2014

Córnea.

páginas de tantos livros que nunca lerei
se amarelando na estante com medo do outono
e suas folhas marrons obedecem a lei
de ventanias e abismos e poemas sem dono

desenho em meu pulso com aquela cor de anil
safira líquida que se opaca em minhas teias
liquida teu nome na pele e começa o abril
e tua marca em mim se disfarça de veias

desavença essa entre pele e caneta
que falha em refletir o que carrego
o sangue e a tinta não ficam violeta
e essa aquarela insolúvel me faz cego

mas as pétalas caem por uma razão
os galhos pelados trazem o inverno
seus olhos secos pedem a união
de cores frias na paleta do eterno