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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Revoltas ou fantasmas

Vícios antigos e desconhecidos
Esquecimentos e medos fornecidos
Placas que dizem indicam caminhos
Apesar de céus, tão sozinhos

Desperdiçando vigor e covardia
Guardando cansaço e ousadia
Juventude tão farta de revoluções
Velhice ingenua crédula em soluções

Algo que migra ou descresce
Indignação que não recua, cresce
Revolta que na rua se tece
Luta pela vida não resolvida por prece.

Fome de arroz ou de palavras arteadas
Riscos de canções ditadas e não cantadas
Sede de algo que jamais se expressa
Nossa escuridão grita, implora por pressa.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Lamentos ou sorrisos

Nosso mundo será um só?
Ou será o seu, o meu
O nosso, café em pó
Insolúvel: será o seu?

A música não se faz sozinha
O verso se desfaz no não tentar
Quando tornou-se uma adivinha
Deixou de ser meu sagrado altar

O seu mundo não vale o que tenho
O seu céu não traz certa energia
Mas se pede, eu juro, eu venho
Como pode dar tanta nostalgia?

Dar-se sou o que posso
Sou o que sei, talvez será
O mundo, a lua, algo nosso
Ou paz ilusória, algo se dará.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Rótulos e livros escritos

Algo sobre comodismo sem fim
Medo de perguntas importantes
De respostas de sim
E prazer com títulos em estantes

Ensinando a fazer música em conjunto
Correr com pressa bem calma na chuva
E com vontade de isolar, mas junto
Antes de fugir, jeito de guarda-chuva

Algo sobre escolhas e desejos
Desejo de poder escolher
Escolha de poder ter desejos
Tudo parecia depressa encolher

Aprendendo a fazer a canção só
Sem voz, com tinta e batuques
A garganta ainda quer dar nó
Sem vida, sem amor e sem truques.

domingo, 17 de novembro de 2013

Outra noite, outro norte

Finalizo pelo começo
Faço de rima o que anseio
Falo de mim, mereço
Posso? Não sei. Paro, receio
Frio, barulho, escuridão
Falo ou calo?
Concordo, sem aptidão
Já não me abalo
Faço melhor, traço
Faço melhor, abraço
Faço melhor, faço!
Ou será que desfaço?
Se faço ou desfaço?
Não sei ao certo
Sei que vou descalço
Pr'onde é perto
E pr'onde quero que seja
Eu que defino distância
Eu que sou dono de mim, veja!
A palavra me acaricia
Me dobra e me guarda
Me dá voz e depois me cala
Me deixa em guarda
Tira-me de escala.
Vem de arte
Me reparte
Peço aparte
Me divide, parte
Eu? Defino como perto
Fico aqui assim
Sem saber o que é certo
Inicio pelo fim.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Além do que se vê

Fechou as portas da casa de paredes sem cor
Esqueceu as janelas, cansou-se de frescor
Andou no escuro de objetos em extrema desunião
Não passava disso: menino privado de ter opinião.

Sentou-se no raio de ternura de velhas velas
Contornou e pintou silhuetas escuras em telas
Refletiu sobre o preto apagado da alma
Para alegrar a mãe, fingia ter calma.

Hamlet o fitava jogado aberto ao lado
Sabia no fundo que não seria decorado
Obrigações mudam rápido em cidadelas
Ser ou não ser, escolher não era uma delas.

O telefone toca: Já era hora de ir
Finalmente legalizava-se o sorrir
O dia seguiu como um grande laboratório
Em cima do palco, doce observatório.

O público o obrigava a viver
O anseio, o obrigava a escrever
A família suplicou a ele se habituar
Ele achou a solução: Decidiu atuar.




sábado, 14 de setembro de 2013

Gemini

Há uma mancha vermelha sobre a cama
Há uma nova folha jogada no chão
O menino ainda pensa no que realmente ama
A menina decide se quer ou não ter coração

Por que mesmo as pessoas gritam?
Pensava nisso ao escrever a vida
Gritam porque as coisas as irritam?
Ou gritam porque querem ser lembradas na ida?

terça-feira, 23 de julho de 2013

Menina do sorriso de lua

Lá vem a tal menina do sorriso bonito,
que não contente em sorrir sozinha,
faz todos sorrirem no pensamento.
Desperta a saudade que ali tinha,
desperta a paixão pelo ego,
e depois vai embora e nem se despede.
Deixa o lugar e corre para o tráfego
de almas de gente que no fundo impede,
a menina de sorrir bonito na rua,
pois sabem que ela no fundo sorri,
por outra menina de sorriso de lua,
que sempre passava bem perto dali.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Odiar estrelas

Olhou para a lua e sentiu ardor.
Olhou um pouco para o lado e viu a sensibilidade.
Na lua só sentiu a falta de amor,
nas estrelas sentiu soltar toda a criatividade.