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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Psiconsulta

Olha, doutor, há muito que se instala
No meu interior uma maldita
Ânsia mortal que, turbulenta, grita
Na mudez de um silêncio que não cala

Me diz, doutor, vai, por favor, me fala
De onde ela vem, se vai ser infinita
Ou se ela pode ao menos ser bonita
Se eu encontrar um jeito de expressá-la

Ah não, doutor, você não compreende
A sua ciência abstrusa, ciência fria
Até pode entender o que há comigo

Mas, se eu chorasse agora, na sua frente
Como a criança o faz (e eu nem consigo)
Nenhum discurso seu me ajudaria

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Põe Minha

As folhas que escrevi pensando alto
A alma no papel despejo, inquieta
Os versos que pensei, assim de assalto
Desfolho sem querer, cumprindo a meta

Eu, metalinguisticamente, choro
Vendo estas ilusões (a qualquer preço)
Não meço meus valores, e te adoro
Meu sentimento débil, te mereço

Não sei se leio um livro ou se me livro
De ler de novo as dores do passado
Pois nada além desejo: enfim, ser livre
De um presente, de um futuro acabado

Canso. Choro. Desisto. Escrevo. Paro.
O meu reflexo vejo nestes versos
Espelho de razões, carentes ondas
Do mar de amar este ideal perverso

VIANNA, Gustavo
ANDRADE, Antonio