segunda-feira, 20 de julho de 2015

DO QUEPE AO KENTUCKY!


Amoooores, nossa coluna de hoje vai a um dos lugares mais chiques do Brasil: Brasília, terra dos poderosos, ricos e cheios de glamour governantes desse nosso paízinho fofo!
Que na capital federal os caras esbanjam todo mundo sabe. Todo dia é um desfile de Hugo Boss e Empório Armani no maior estilo vintage que é S E N S A C I O N A L!!! Mas nem tudo são mil maravilhas e nem todo mundo nasce com Glorinha Kalil encorpada. Sempre tem alguém que nos deixam querendo cortar os pulsos com uma faca sega.
Nosso it boy de hoje é o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, que não tem agradado nadinha sempre que fala em publico. Edu, que gravatas são essas, queridinho?! Até sei que o senhor está muito ocupado com esse lance de Lava Jato e cobrando propina de doleiro, mas verde Kentucky não dá, né?!!!
Bebê, alguém com o seu status não pode sair por aí usando amarelo carambola e azul neon e achar que ta tudo bem. Moda não é igual política, fofo! Terno xadrez, camisa laranja páprica e gravata verde musgo não vão começar a ser style só porque você quer. JAMÉ!!!
Juro que até tento te entender. Sei que seu rostinho não é tão fácil de valorizar. Mas está começando a abusar, lindinho.
Seu look está o Ó!!! Laranja e verde DE JEITO NENHUM e o único xadrez que fica bem em você não é o que tem usado (e olha que está suuuuper em alta entre os seus colegas).
Amoreco, aqui vai a nossa dica: aposta no quepe e na farda, que é mega sucesso. O retro é a sua cara!!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Lençol Rosa

Retomada, desavença, auto-vingança
Esperança ou desgraça?
Quem espera, consegue
(mas só consegue quem não espera pra fazer)
se supera,
se supera.

Desespero ou desengano?
Nó de garganta ou de corda?
Auto-compreensão, autoestima, automóvel, autista, autor.
Auto-vertido, auto-amor, narcisismo, rancor.
Alto-falante.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Defeitos do Não-Ser

Ciclo, ciclovia, atropelamento
... circo?
Cerco, paredes sem portas;

muleta e visão sem óculos
óculos sem próprias lentes
lentes de vidro que quebram o mundo e furam a íris
sangue transfundido
tipo negativo
tipo bem legal
ã-hã
nossa
desconforto e insistência
"não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você"
pra quê fones se não se escuta?

lar em si, si bemol, clarim, jornal, história morta
quente
calor falso
cadafalso
cada olhar falso

andar descalço
é libertador para quem usa sapatos apertados

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Beleza.

dorme com qualquer um pra se tornar artista
tão fácil pra vocês, pra mim se faz difícil
escrevo pra satisfazer almas, sofista
nos meus sonhos fujo de teu toque grácil

a sereia por quem afundo meu poema
em teatro lotado embaixo d’água diz
“te aqueço nesse frio, meu querido, não tema”
mas congelo de dentro, pela cicatriz

pois a beleza é uma puta faminta
que só brinca com meu coração indefeso
o gosto dela entrava a língua, extinta
me deixa mudo de voz e pensar coeso

da beleza, eu sou somente oposição
pra todos os outros ela vem, atraente
e em mim ela orbita: só dança, sem canção
me deforma com sua atração expoente

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Só Uma Palavrinha

Quando o óbito do corpo se faz por um mísero segundo
(segundo Buarque, volume onze)
é o nó da forca que se sente no pescoço,
não são lágrimas.
E enquanto for é porque não morreu.
O implícito corvo empoleira-se sobre os ombros do mundo
(não o sentimento, bronze)
e o cós faz lembrar os tempos de moço,
quando cabia
a calça e a saudade.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Auto-Consciência

de repente, pensou
como...
não costumava pensar.
Fantasia e pena, papel... e tesoura.
Não se pensa em magia
não pode ser assim
não se fantasia de olhos abertos
não se pensa além disso
porque não é assim que fazem as pessoas.

Quem é real, sabe(.)(?)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Grita Ria

O Fantasma do Não
e o Pedinte do Sim,
engalfinhando-se sobre o metal precioso da Certeza,
cegam-se sob o sol da Crítica
e, através do ar da Verdade,
não mais são*.

*Uns assombram e recusam,
outros fazem e abusam.

As gargalhadas da Língua do Desejo
zombam dos romances escritos
pela Mão do Amor,
que, sobre páginas do ventre dos Mitos,
despejou as máscaras do Lirismo
sobre as íntimas verdades do Corpo,
inutilmente concebidas pelo instintivo e pelo emocional.

A serenidade e sabedoria da Mente do Perene
tenta ensinar à inocente ignorância da Arrogância do Afoito
como tudo não vale, de fato, à pena,
mas de uma certa forma
na qual todos os embates resultam
em algo bom e duradouro
(ao menos à medida
que se mede
o que
se
vive).

domingo, 19 de outubro de 2014

Manifesto contra a parede

Contra todas as formas de conservação de energia.
Pela vasta dissipação cinética dos cernes enérgicos do
mundo.
Antes os movimentos sem causa que as causas sem

movimento.

Eterna poesia de um circuito elétrico.
Maquinário. Víscera. Tornado.
Beijos em redemoinho,
colapsos
Eclipses e carros, clepsidras ao contrário.

τ = ^ε

Independentemente do sentido
da força resultante
Que não seja nula.

Multidões gritando, vórtices mavórticos
de suor e calor humano
Corinthians 5 Palmeiras 4
Com toda a sinceridade desejamos
que este muro quebre
E que sejamos nós os agentes
da desconstrução final.

Morte a todo tipo de estática
A toda equação que não possa ser
transformada em outra.
Continuidade a todas as potências de existir
Poder ser, vir a ser, ser.

Vai, garoto, pega a mão dela!
Suspira no ouvido dela
Faz ela gostar e quando
ela desgostar pegue outra
mão e mais outra!

Ritmos pélvicos conjugados
numa sinfonia de universos cognatos
Pressão, pressão, pressão
Danças de acasalamento
Sucessão infinita de todos os rolês
Processadores vomitando arte

Queremos o fim deste sistema
O fim do próximo sistema
E o fim de todos os sistema que virão
depois de um e de outro.

Museus em chamas.

Contra todo o congelamento da alma humana.

Contra o existir-tijolo, o ser-em-parte
Contra a indiferença do homem-cimento
Contra a rigidez da vida cotidiana
Contra a anestesia do concreto-hoje

Como uma bola de demolição
Que está aqui para ser nada senão
Uma bola de demolição

CONTRA

CONTRA A PAREDE.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Canção da Realidade

A realidade nos assalta a todos de diversas formas
Por diversos lados.
De uma forma ou de outra o absoluto nos trai
E os números nos passam a perna.

É difícil viver num mundo
Feito de seres imperfeitos
E de muitos seres imperfeitos
E imperfeitamente ser um destes muitos
Dentre outros e mais outros.

As tuas facilidades não importam muito
Há sempre um lado
Pelo qual tu podes ser derrubado.

Nenhum homem pode ter nascido em dois lugares
E isso me faz ver que há coisa que nós de fato
Não escolhemos; no entanto, elas acontecem mesmo assim.
Ainda podemos aprender, não?
Posso falar várias línguas e estar em vários lugares
Ao longo da minha vida e assim serei como
Um homem cosmopolita que vem do mundo inteiro.

Hoje ainda posso significar-me com a ponta dos meus dedos
E estarei em vários lugares ao mesmo tempo.
Posso ser mesmo um deus
Com a onipresença da fibra-ótica

Mas a realidade é outra
Ainda sou menos que nada
E a minha pátria é onde não estou.


Ah, multicoloridos são os homens!
Grandes são as nossas cidades e os motores
Das nossas indústrias de base! E grande também é
O abismo que nos separa, os homens. O abismo a que
Alguns sábios já chamaram sociedade.
Grandes são os meus desejos e isso não muda
A realidade. Ela ainda é voraz.
Ela não está de fato ligando para o que eu quero,
Somente se posiciona com todas as suas armas
No microcosmo do fracasso
Apontadas para todas as possibilidades da minha vida.

Eu queria muito me casar com ela.
João queria passar no vestibular.
Maria queria conseguir um aumento.
Simone faria de todo por uma outra chance.
Ricardo queria ser grande, ser rei, ser inteiro.
Álvaro só queria chocolates.
José queria um filho homem.
Priscila queria encontrar o amor verdadeiro.
Eu e ele e ela e todos eles e também você
Todos queríamos ser felizes.

Mas a realidade
É sempre outra.

Tique-tac

Porque a vida corre,
o tempo morre e não te espera.
Enquanto o tempo fica,
nada implica em progresso.
E, pra "tal" desordem,
só precisa um contratempo.

Já que se acelera
e
a vida
não te espera,
por que não
dá
uma volta
enquanto o tempo pára?

Os segundos passam
como diamantes em vitrines.
Já que tudo é agora,
como que você
não demora?
Já que tudo demora,
como você
vive o agora?

Porque o tempo corre
e se corre contra o tempo,
se concorre a contra tempos,
se concorre contra vidas.

E se discorre a tal vingança
quando o tempo se acelera
e a ideia se dispersa
e de tanto viver o tempo
a vida, vivida,
ah, a vida...
já morreu.